17
NOV
2015

Seminário discute situação de mulheres negras trabalhadoras no Brasil

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Foto: Valcir Araújo

Foto: Valcir Araújo

Começou nesta segunda-feira (16), em Brasília, o Seminário de Mulheres Negras Trabalhadoras e Resolução Nº 746/2015, do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (CODEFAT). O evento, realizado pelo Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR), contou com a participação de centrais sindicais, entre elas, CTB, UGT, CUT e Nova Central.

O objetivo do evento é discutir a situação da mulher negra no mercado de trabalho brasileiro, bem como a Resolução, a fim de garantir a implantação e cumprimento da normas estabelecidas pelo documento.

O decreto 746 passou a valer em 2 de julho deste ano. A sentença recomenda ações de estímulo para a inclusão da população negra nas políticas, programas e projetos custeados com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Segundo dados de pesquisas apresentadas na reunião pela representante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Lílian Marques, o Brasil possui 97 milhões de negros. As informações comprovam que a pior situação no mercado de trabalho é da mulher negra. A maior parte do trabalho executado por elas no Brasil é doméstico. 95% das vagas para empregadas domésticas são ocupadas por mulheres negras.
Pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, em 2010, sobre o perfil sócio-racial de gênero das 500 maiores empresas do País e suas ações afirmativas apontou que, quanto maior o nível hierárquico, menor é a presença de trabalhadores (a) negros. Apenas 13% deles ocupam cargos executivos. Nas funções de gerência estão presentes em somente 25% das vagas.
Dados adiantados da mesma pesquisa, realizada este ano, mostram somente 4,7% de negros em cargos de chefia e 1,6% de mulheres negras em funções de administração ou gerência.
As participantes destacaram que no movimento sindical a situação não é diferente. A participação feminina e negra na direção de centrais, sindicatos e federações é praticamente nula.
A Secretária de Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, destacou que a central sempre discutiu e promoveu ações voltadas à questões de gênero e raça. Mônica relatou que atualmente a CTB possui 22 secretarias de igualdade racial em vários estados da Federação e tem priorizado diversos trabalhos nesse sentido, atuando e apoiando a luta do movimento negro.
Custódio sugeriu a realização de um fórum entre as centrais para discutir e traçar estratégias de enfrentamento à dura realizade apresentada no debate. A dirigente considera a unidade das organizações sindicais e sociais como a melhor forma de avançar nessa questão.
“É preciso unidade e consenso. Precisamos ter uma bandeira unificada. Nós da CTB entendemos que a luta contra o racismo faz parte da luta contra o patriarcado, da luta de classes”, declarou Mônica.

Fonte: Portal CTB

 

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